quarta-feira, 24 de junho de 2009

Liderança Cristã

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quinta-feira, 5 de julho de 2007

ALBUM ABACF

A solidariedade é, sem sombra de dúvidas, a forma maior de alguém expressar o seu amor. Solidariedade é coisa fina e rebuscada. É sentimento nobre. É comum nas grandes tragédias, quando se vê o espírito de solidariedade impregnado em cada rosto anônimo, em cada gesto esboçado na vã tentativa de poder reverter tal acontecimento. Ninguém nesse mundo foi tão solidário às pessoas quanto Jesus. Ensinou-nos a repartir o pão. Mostrou-nos como devemos ser solidários aos mais fracos e oprimidos. E como se isso não bastasse, atingiu o ponto máximo da solidariedade quando em nosso lugar morreu na cruz. Portanto, foi Jesus Cristo aquele que melhor encarnou o espírito de solidariedade, durante todo tempo em que veio pregar o Evangelho entre os homens.
Nos anais da história é fácil encontrar exemplos de pessoas que fizeram desse sentimento uma bandeira de luta, uma razão de vida. Casos de homens e mulheres que doaram parte de suas vidas sendo solidários a uma causa, transformando a vida de muitos, são comuns de se ver. Acontece, aconteceu e continuará a acontecer. É um fato insofismável e digno de louvor.
Como é bom saber que existem pessoas que se preocupam conosco, que lutam em nossas trincheiras e fazem dessa luta sua também. É fácil notar pessoas que lutaram uma vida inteira, tendo como premissa o bem comum da coletividade. Sonhadores, pensadores, guerrilheiros, poetas, escritores, políticos, cientistas e gente do povo, cada um na sua área e no seu front, são exemplos puros e fiéis de humanistas devotados e comprometidos com os princípios básicos do cristianismo.
Alguém poderá até pensar que um mero guerrilheiro não estaria em nada sendo solidário em suas ações. Pois bem, para citar apenas o mais famoso deles, Che Guevara, dele sabe-se que foi um fiel cumpridor dos sonhos libertários de um povo. Pugnou sempre pela causa da libertação dos povos das américas. Morreu abraçado à causa de libertação de povos que secularmente vivem debaixo do jugo do imperialismo. Como negar ou omitir ter sido ele uma pessoa investida do mais profundo sentimento de solidariedade humana? Com sua morte, deixou todo um legado de luta pelos mais fracos, oprimidos e excluídos do planeta. É bom lembrar que, ao lado de Fidel Castro, liderou uma revolução redentora em Cuba, livrando aquele povo das garras do ditador Fulgêncio Batista. Galgou o cargo de Ministro da Defesa de Cuba, permanecendo nele apenas pouco mais de um ano, donde seguiu para dar prosseguimento ao seus sonhos libertários, vindo a falecer no ano de 1967, nas cerradas matas bolivianas. Quem chega em Havana, pode visualizar um pensamento dele, na entrada da cidade, que diz assim: "Entre os homens sós e desesperados surgem facilmente os mais elevados sentimentos de solidariedade e lealdade humanas."
O mundo está cheio de exemplos de pessoas que são a própria solidariedade personificada, que são verdadeiros tesouros, que fazem desse sentimento bússola para o seu caminhar. Ninguém de sã consciência pode negar isso. Inclusive, sou defensor da tese de que todo homem nasce bom, vindo alguns a se tornarem empedernidos face à maldade que sempre absorveram ao longo de suas vidas. Não se nasce mau. Aprende-se a ser vivendo e comungando com quem assim já o é. Claro que para toda regra existem as exceções. Ainda bem que é assim.
Agora, o que fica bem visível diante de nós, é a escassez desse sentimento entre as pessoas, nos últimos tempos. Lamentamos que o homem esteja tão envolvido, apenas e simplesmente, com os seus problemas e suas necessidades básicas. Parece não sobrar mais tempo para o outro. Os vizinhos quase não se conhecem mais, parecendo até que todos preferem viver em total anonimato. Um simples "bom-dia" nas grandes cidades virou artigo de luxo. E o pior nisso tudo é que passou a ser comum. De tão comum que é já passou a ser normal. É uma pena que seja assim. A luta do dia-a-dia tornou as pessoas frias e calculistas. O que se vê é uma grande massa a correr pela sobrevivência, tornando-se todos autênticos equilibristas. Pior que isso: todos vivem a crueza fria da competição. E dessa realidade extraímos que todos parecem ser meros inimigos. Em meio a tudo isso, vemos ainda "ilhas" de pessoas a desenvolverem tão salutar sentimento pelo próximo. Enquanto pessoas assim ainda viverem, sem dúvida alguma, irão nos poupar de perguntar: "Solidariedade, onde andas?"

O Dilema Pedagógico

Resgatar as origens e motivações das escolas democráticas implica compreender o cenário de mudanças que começa a se desenhar no campo da educação ainda no século 19. Desponta um sentimento de desilusão com a pedagogia tradicional, erigida a partir dos sistemas nacionais de ensino, criados sob inspiração do ideário iluminista e os princípios de liberdade, igualdade e fraternidade da Revolução Francesa. Para transformar servos em cidadãos livres, a escola postulava o domínio de saberes legitimados pela ciência, em que a figura do professor é a autoridade máxima, que detém e transmite esses saberes. "Nessa perspectiva, os sistemas nacionais de instrução foram concebidos como imensas máquinas de transmissão do saber constituído", observa Ghanem.
As reações se multiplicam e, em meio às críticas à chamada escola tradicional, diferentes teorias sobre a prática pedagógica começam a aparecer, em várias partes do mundo. São experiências como as do suíço Johann Pestalozzi, o jardim da infância (kindergarten) de Frederich Froebel, o trabalho de Célestin Freinet e a Escola do Pragmatismo de John Dewey, entre tantas outras. A educação liberal burguesa, construtora da nacionalidade e da cidadania, está em xeque.
Aprender X Ensinar As críticas à pedagogia tradicional terminam por impulsionar um amplo movimento reformista. No Brasil, sob a expressão do "escolanovismo" , assume sua representação máxima.
"Ensinamos crianças, não matérias", difundia o da Escola Nova, para quem a pedagogia tradicional, "verbalista e enciclopédica", reduzia o processo educativo exclusivamente à dimensão do saber. Se até então o professor era a figura central, com a responsabilidade de iluminar o caminho de seus discípulos e transformar súditos em cidadãos, agora se reivindica uma escola capaz de extrapolar a mera transmissão de conteúdos para valorizar os processos de aprendizagem.
Desloca-se o eixo - do ensinar para o aprender. E ao deslocar o eixo de uma pedagogia centrada na ciência da lógica para uma pedagogia de inspiração filosófica, com contribuições crescentes da biologia e da psicologia, a educação começa a viver mudanças profundas.
Muda o papel do professor, mudam as relações de poder no interior da escola. "Os saberes, que eram dispostos segundo uma ordem lógica, passam a subordinar-se ao que se entendia por uma ordem psicológica, com uma conexão muito mais intencional entre a prática educacional e a idéia de interesse", descreve Ghanem. A aprendizagem não é mais vista como um processo atrelado ao treino, à retenção e memorização.
Na nova concepção, também não há lugar para a autoridade absoluta do professor, nem ele é mais o detentor do conhecimento. Ao invés da relação vertical professor-aluno, a pedagogia nova sai em defesa da assimetria nas relações em sala de aula. A própria geografia da escola está em debate.
"A feição da escola mudaria seu aspecto sombrio, disciplinado, silencioso e de paredes opacas, assumindo um ar alegre, movimentado, barulhento e multicolorido", descreve Dermeval Saviani no livro Escola e democracia, um marco na crítica pedagógica ao escolanovismo.
Fonte: revistaeducação.uol.com.br